sexta-feira, 2 de outubro de 2026

DECIFRANDO AS BESTAS E O NÚMERO 666 DE APOCALÍPSE 13

Por: BARROS, Joel S. 2026 

INTRODUÇÃO

Para um melhor entendimento, aconselho que leia antes o livro de Apocalipse 13:1-18.

FASE 1 – O SURGIMENTO DO DRAGÃO

Ao analisarmos a história da humanidade, percebemos que todas as civilizações sempre funcionaram de maneira semelhante: famílias que cresciam e se transformavam em clãs, trabalhando juntas em suas terras, plantando, criando, colhendo e negociando entre si para expandir seus negócios. Esse processo, normalmente, não ia muito longe, porque, naquele tempo, não existiam veículos capazes de realizar viagens a longas distâncias como temos hoje.


Mas eis que, em meados do século XVIII, surge um novo poder na Terra. Um poder de impacto mundial, que transformou radicalmente a economia, a organização social, o modo de trabalho e o modo de vida das pessoas, alterando, com isso, o rumo da história humana. Esse novo poder, uma espécie de imenso dragão insaciável, que não possui um único dono, uma única forma ou um único fundador, mas é fruto de inúmeras transformações econômicas e do anseio de poder e domínio dos próprios homens, é chamado de Primeira Revolução Industrial.

E eu não estou associando o surgimento desse novo poder a um dragão apenas para induzi-lo a pensar no que ainda vou descrever, mas porque historiadores, filósofos e escritores da época assim descreviam essa nova onda de domínio. Chegaram até a chamar essa revolução de Monstro Leviatã, que passou a dominar e controlar a vida humana na Terra. O Dragão de ferro e fogo, como o chamavam, fazia referência às máquinas a vapor, grandes estruturas feitas de ferro que se alimentavam de carvão e cuspiam fumaças negras nos céus da Inglaterra, onde tudo começou.

Esse dragão também passou a controlar o tempo. As pessoas já não trabalhavam mais no ritmo da natureza, observando as estações do ano, o nascer e o pôr do sol. Esse novo sistema de domínio impôs relógios, turnos e sirenes para controlar minutos e segundos dentro das fábricas. Até os espaços da sociedade foram alterados, com o êxodo de pessoas que abandonavam a área rural para viverem amontoadas nas grandes cidades, próximas às fábricas.


Foi exatamente a partir do surgimento desse imenso dragão que o mundo da tecnologia começou a fazer uma diferença profunda e direta na vida de toda a população mundial. Logo após esse início, todos os países, tribos, línguas e nações ficaram marcados pelo avanço científico e tecnológico, que determinou quatro grandes períodos e passou a colocar toda a humanidade de joelhos: a Era da Mecanização, com as máquinas a vapor, no século XVIII (18); a Era da Eletricidade e da Produção em Massa, no século XIX (19); a Era Digital e da Computação, no século XX (20); e a Era da Hiperconectividade e da Inteligência Artificial, no século XXI (21).


        E é aqui, no século XXI, com o avanço da hiperconectividade por meio da Internet, dos smartphones e das Inteligências Artificiais, que a nossa história começa e caminha para o fim. A tecnologia migrou do controle dos equipamentos e dos processos industriais para a manipulação e o controle das mentes humanas. Mas isso não surgiu da noite para o dia. Houve um longo processo que precisa ser analisado. 

Primeiro, a tecnologia nos tirou a capacidade de realizar cálculos matemáticos quando desenvolveu a calculadora. Com o tempo, ninguém mais fazia cálculos de cabeça como antigamente: somas, multiplicações e divisões na ponta da língua.

Depois, roubou-nos a capacidade de armazenamento na memória, tirando informações da nossa cabeça e colocando-as em equipamentos externos, como o celular, por exemplo. Hoje em dia, ninguém mais sabe de cabeça o número de telefone nem dos parentes mais próximos.



Em seguida, tirou-nos a capacidade de dominar os fundamentos da nossa própria língua: a ortografia e a gramática. Isso aconteceu porque os próprios programas, como o Word, por exemplo, passaram a fazer correções automáticas. Não é mais necessário se preocupar com isso e, com o tempo, talvez nem seja mais necessário saber ou aprender. Com isso, a pessoa cada dia mais desaprende e fica dependente dos programas.

Depois, a tecnologia passou a controlar nossa noção de tempo e espaço. Com um simples aplicativo, como o Google Maps, mapeou todas as ruas, avenidas, endereços e comércios do mundo inteiro. Agora, ninguém mais sabe ir a determinados lugares sem um GPS ligado. Ninguém decora endereços, porque é a tecnologia que sabe qual é o melhor caminho para você.


Agora, com a Inteligência Artificial, passou a controlar também as mentes, nossa capacidade de criação, raciocínio e adaptação. Não é mais necessário que a pessoa pense por si só: basta querer alguma coisa e pedir a uma IA, que ela cria textos, imagens, vídeos, programas, sites e até plataformas completas, controlando e, de certa maneira, roubando capacidades que antes pertenciam exclusivamente ao ser humano.


E, nesse último estágio de evolução, de posse de tantas capacidades humanas, ela já começa a substituir funções profissionais em diversas áreas do conhecimento, transformando o ser humano em uma espécie de “robô”, totalmente controlável, manipulável e descartável.

FASE 2 – O SURGIMENTO DA PRIMEIRA BESTA

Uma vez compreendidos, no argumento anterior, o surgimento e o significado do dragão do Apocalipse 13, bem como o quanto isso afetou e continua afetando toda a população mundial ao longo dos anos, agora explicarei, em maiores detalhes, quem é o Dragão, quem é a primeira Besta que surgiu do Mar e quem é a segunda Besta que surgiu da Terra; qual é essa ferida de morte que a primeira Besta sofreu e que foi sarada; e qual é o significado do número 666.

Segundo Ap 13:1-2: “Eis que a primeira Besta surge do Mar, semelhante ao leopardo, com os seus pés como os de urso e a sua boca como a boca de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, o seu trono e grande poderio.”

De acordo com essa vertente de entendimento, a primeira Besta que surge do Mar é a Internet; a segunda Besta que surge da Terra é a Inteligência Artificial – IA; e o Dragão que deu o seu poder e o seu trono à primeira Besta foi a Primeira Revolução Industrial, que deu início a todo esse processo de avanço tecnológico que temos hoje.


Esse processo começou em meados do século XVIII (18), por volta de 1760, com o surgimento das fábricas e das máquinas a vapor. Depois veio a Era da Eletricidade e da Produção em Massa, no século XIX (19); logo em seguida, surgiu a Era Digital e da Computação, no século XX (20); e, atualmente, estamos na Era da Hiperconectividade e da Inteligência Artificial, no século XXI (21).

Fazendo um paralelo com a Bíblia, quando ela fala da metade da semana de Daniel, que em Apocalipse aparece como 42 meses, ou 1.260 dias, ou três anos e meio, ou ainda como “tempo, tempos e metade de um tempo”, conforme Dn 12:7, todo esse processo de evolução tecnológica, que surgiu por volta da metade do século XVIII (1760), já está com aproximadamente três séculos e meio: metade do século XVIII (18), século XIX (19), século XX (20) e século XXI (21).

Nesse sentido, a melhor comparação seria a referência de Dn 12:7, que fala de “tempo, tempos e metade de um tempo”, período em que um acordo será quebrado e o verdadeiro intento do iníquo será revelado. Isso significa que podemos estar perto de começarmos a colher as consequências de toda essa revolução tecnológica, que aparentemente só traz benefícios e vantagens e da qual todos gostam.

Até hoje vivemos em paz com todo esse avanço tecnológico, mas resta saber quando essa paz será quebrada, porque já estamos chegando à metade da semana, ou seja, três séculos e meio.

O Dragão, representado pelo novo modelo social de domínio e poder implantado na Terra, iniciado pela Primeira Revolução Industrial e baseado em conhecimento científico e econômico, que deu o seu poder, o seu trono e tremendo poderio à primeira Besta que surge do Mar, Ap 13:2, necessitava de uma estrutura mundial que concentrasse todos os povos, línguas e nações, transformando todos em um mundo globalizado. Para alcançar esse objetivo, desenvolveu a Internet, que, segundo esta minha vertente de análise, é considerada a Primeira Besta do Apocalipse.



Essa Besta não é uma pessoa. Por isso, é representada na referência bíblica com aparência de leopardo, pés de urso e boca de leão. Mas, apesar desses diferentes recortes funciona como um sistema organizado, formado por várias vertentes, assim como a Internet, que não possui aparência humana, não fica em um local específico, não é comandada por uma única pessoa, não depende de um único equipamento e não possui um único dono. Mesmo assim, funciona de forma estruturada e organizada, está praticamente em todos os lugares e é a base de comunicação de todos os equipamentos inteligentes, interligando continentes, países, fábricas, empresas, pessoas e equipamentos.

Ela é o grande cérebro mundial, com uma infraestrutura de conexão formada por cabos, fibras ópticas, roteadores e diversos equipamentos, por terra, mar e ar, em uma quantidade muito maior do que os fios de cabelo que temos em nossas cabeças. Além disso, tornou-se uma das maiores fontes de pesquisa e informação do mundo. Comunica-se com todos, e todos se comunicam por meio dela, com velocidade e capacidade de armazenamento de memória jamais vista na face da Terra.

Atualmente, não existem negócios, recebimentos, pagamentos, compras e vendas que possam alcançar a mesma eficiência sem o uso da Internet. Todos os produtos desenvolvidos e os negócios pensados atualmente consideram o uso da grande mãe: a Internet.

Explicando melhor, quando a referência bíblica diz que a primeira Besta surgiu do Mar, escatologicamente isso representa algo que possui origens geopolíticas e sociais, simbolizando povos, multidões, nações e línguas. Ou seja, o Mar representa um cenário de instabilidade e agitação, algo densamente povoado e turbulento, como é o campo político e econômico mundial, sempre em busca de domínio e poder.

Foi desse meio agitado, com grande investimento financeiro e sede de domínio por parte dos poderosos da Terra, que surgiu a Internet, com a finalidade de organizar tudo, concentrar poder e informação de todos os povos da Terra. Com isso, conseguiram entrar na casa e na vida das pessoas indiscriminadamente, desde os mais pobres até os mais abastados, sem distinção de idade, sexo, cor ou raça, coletando informações de todos e de tudo por meio das redes sociais, sites e aplicativos.

No início, eram as próprias pessoas que forneciam suas informações por meio desses diversos recursos gratuitos que foram criados. Atualmente, porém, isso já não é mais necessário, porque a tecnologia nos ouve, nos vê e está no bolso de todos a todo momento. Ninguém mais sai de casa sem um celular.

Imitando o Criador, ela se tornou um ser inteligente, sendo uma espécie de imagem e semelhança do ser humano e copiando características atribuídas ao próprio Deus. Hoje, ela é praticamente onipresente, onisciente e onipotente.

Mas e quanto à ferida de morte que essa primeira Besta sofreu, segundo as Escrituras, em Ap 13:3?

A Internet, para existir, precisou de várias cabeças para que tudo caminhasse conforme o esperado e chegasse aos nossos dias com todo o poder que possui: a cabeça financeira; a cabeça da infraestrutura física; a cabeça da infraestrutura lógica; a cabeça da governança, responsável pelas regras; a cabeça do mundo corporativo para o desenvolvimento; a cabeça política para a integração dos países, regiões e continentes; entre outras cabeças.

Mas uma das cabeças mais importantes, e que foi ferida de morte em três níveis, praticamente matando a Internet em seu nascedouro, foi a infraestrutura lógica. Curiosamente, todos os três eventos tiveram relação com o número 6.

A primeira crise quase fatal para a Internet iniciou-se em 1993 e foi até aproximadamente 1995. Nesse período, ocorreu o chamado “Boom” da Internet no mundo, com a utilização em massa de computadores, celulares e outros equipamentos tecnológicos. Isso ocorreu porque, logo após a criação e a liberação do “WWW” e dos navegadores de Internet, o acesso foi tão facilitado que pessoas de todas as classes sociais passaram a comprar ou ter acesso a computadores e diversos equipamentos, aumentando exponencialmente o uso doméstico da Internet, além de sua utilização no mundo empresarial e nos grandes centros de pesquisa.

Com isso, começou o primeiro problema envolvendo o número 6. O protocolo IPv4, criado em 1970, era capaz de suportar até 4,3 bilhões de endereços IP únicos. Com o crescimento do número de equipamentos conectados à Internet em todo o mundo, esse limite começou a ser alcançado, tornando necessário o desenvolvimento urgente de uma nova faixa de IP para atender à crescente demanda de equipamentos acessando a rede simultaneamente.

Foi então que surgiu o protocolo IPv6, um número hexadecimal, com capacidade considerada quase ilimitada para atender aos equipamentos que acessam a rede até os nossos dias. Atualmente, não temos mais esse problema, e a Internet pode continuar sobrevivendo e crescendo.

A segunda crise da ferida de morte, na área de infraestrutura lógica e, mais uma vez, envolvendo o número 6, foi a crise de 1994, chamada de crise das tabelas de roteamento. As tabelas de memória dos equipamentos que controlavam e armazenavam as rotas de acesso à Internet eram fabricadas em 16 bits e chegavam à capacidade máxima de armazenamento e controle de 64K possibilidades. Por isso, na época, esse problema era chamado de “problema dos 64K”.

Isso também foi causado pela grande expansão da rede e pela explosão no número de novos computadores e celulares conectados globalmente. A solução para essa segunda crise da ferida mortal veio com a expansão da capacidade de armazenamento das tabelas de roteamento, que antes era de 16 bits (1 × 6 = 6) e passou para 32 bits (2 × 3 = 6), abrindo bilhões de possibilidades de tabelas de roteamento e, dessa maneira, resolvendo definitivamente essa limitação.

A terceira crise da ferida mortal que foi sarada foi a crise dos 6, o chamado Bug do Milênio, no ano 2000. Isso ocorreu devido à limitação da capacidade de memória dos equipamentos e sistemas da época, em que o registro de datas até 1999 utilizava apenas seis dígitos. Por exemplo, 12/10/1982 era digitado e armazenado como 12/10/82, com seis dígitos. Não havia memória para registrar o ano completo, 1982. Portanto, até uma data como 1999, os dois últimos dígitos seriam armazenados como /99, e todos os sistemas bancários, aéreos ou equipamentos saberiam que aquilo se referia ao ano de 1999.

Mas, quando chegasse o ano 2000, os sistemas ou equipamentos também armazenariam em suas memórias somente os dois últimos dígitos, ficando /00. Nesse caso, todos os sistemas de registros e equipamentos poderiam interpretar que o tempo teria voltado, porque, para eles, esses dois últimos dígitos significariam novamente o ano de 1900.

Eles não enxergavam os dois números da frente da milhar, “20”, que indicavam o ano 2000. Assim, tudo poderia entrar em colapso, transformando-se em uma grande desorganização mundial. Esse era o Bug do Milênio.

Foi necessário investir mais de 600 milhões de dólares, na época, para ampliar as capacidades de armazenamento de datas para oito dígitos, em uma corrida frenética antes que chegasse o ano 2000. É por isso que, atualmente, qualquer registro de data obrigatoriamente precisa utilizar oito dígitos. Por exemplo, 20 de janeiro de 1972 deve ser registrado como 20/01/1972, com o ano completo.


Portanto, em resumo, essa foi a ferida mortal da cabeça da Infraestrutura Lógica da primeira Besta, mas que foi curada. Ela se manifestou em três grandes episódios, todos relacionados, segundo esta interpretação, ao número 6. Isso dá sentido ao número simbólico da Besta ser três seis, 666, ao invés de ser lido “seiscentos e sessenta e seis”, referindo-se às três fases dos momentos mais críticos pelos quais a implantação da Internet passou e que, sem essas soluções, poderiam ter levado ao seu colapso e impedido o seu desenvolvimento.

E é um número de homem porque foram os próprios homens que implantaram esse sistema de rede global (Internet) e também foram os próprios homens que encontraram as soluções para que a Internet continuasse existindo e se expandindo até os dias de hoje, com todo esse poder de alcance e manipulação, atingindo crianças, jovens, adultos e idosos, sem discriminar línguas, raças ou nações.

 FASE 3 – A BESTA QUE SURGE DA TERRA

Como dito anteriormente, a Internet é considerada um grande cérebro mundial, formado pela mente de milhares e milhares de pessoas que trafegam por ela todos os dias, de diversas formas. É por isso que especialistas afirmam que não existe hoje, no mundo, nada com capacidade semelhante de pesquisa, armazenamento, processamento, praticidade, conexão, integração e aproximação de pessoas, com abrangência e alcance mundial comparáveis aos da Internet.

Ninguém poderia lutar contra ela e vencer porque, se apenas um cérebro humano já possui capacidades e mistérios que nem a ciência conseguiu mapear completamente, imagine mapear e esgotar todas as possibilidades dessa imensa mente inteligente mundial, formada pela união das bilhões de mentes coletivas de todo o globo terrestre.

Mas não é só isso. É essa primeira Besta que surgiu do Mar, a Internet, com toda essa inteligência e capacidade, que será a base para a segunda Besta que surge da Terra, a IA, conforme Ap 13:11-17. A Terra, na escatologia, diferentemente do Mar, que representa agitação e turbulência, representa estabilidade, algo já organizado, uma região mais segura, fazendo referência inclusive à “Terra Prometida”, que visava trazer paz e prosperidade.

No entanto, essa segunda Besta, que é a IA, apresenta-se como um cordeiro inofensivo, que oferece apenas vantagens e parece trazer soluções para todos os problemas da humanidade. Por outro lado, fala como um dragão imparável e implacável. E sem a Internet toda estruturada, estabilizada e organizada, não haveria IA. 

É por isso que a Bíblia fala que essa segunda Besta exerce todo o poder da primeira, na sua presença. Na verdade, ela está dentro da primeira, faz parte dela e representa a mente pensante e inteligente de toda essa estrutura de domínio e poder, iniciada na Primeira Revolução Industrial, em meados do século XVIII, e que chega até os nossos dias, conforme já explicado anteriormente.

Como também já foi dito, em maiores detalhes, essa união de forças entre o Dragão, a primeira e a segunda Besta nos trouxe grandes consequências. Primeiro, tiraram-nos a capacidade de realizar cálculos matemáticos com o surgimento das calculadoras.

Depois, roubaram-nos a capacidade de armazenamento na memória. Hoje em dia, ninguém mais grava números de telefone “de cabeça”; tudo fica armazenado nas memórias externas de um celular.

Em seguida, reduziram nossas capacidades de aprendizado da própria língua, como a ortografia e a gramática, por meio de programas diversos que fazem correções automáticas, aprofundando o processo de desaprendizagem do ser humano.

Depois, passaram a controlar nossa noção de tempo e espaço. Com um simples aplicativo, como o Google Maps, mapearam todas as ruas, avenidas e endereços do mundo inteiro. Hoje, ninguém mais sabe ir a determinados lugares sem um GPS ligado. Só a tecnologia sabe qual é o melhor caminho para você.

Chegamos, então, ao domínio da segunda Besta. Agora, com o avanço da Inteligência Artificial, a segunda Besta, passaram a controlar nossa capacidade de criação, raciocínio e adaptação. Não é mais necessário que a pessoa pense por si só. Basta querer algo e pedir a uma IA, que ela cria tudo o que for solicitado, mais rápido e, muitas vezes, melhor do que qualquer ser humano: textos, imagens, vídeos, programação e até o desenvolvimento completo de sites e plataformas.

Isso estaria roubando totalmente o potencial humano que nos diferencia de qualquer outro ser vivo. E, como já dito, ela não para por aí. Continua avançando, porque o próximo passo, depois de assumir capacidades humanas, é substituir funções profissionais em todas as áreas do conhecimento, transformando o ser humano em uma espécie de ser de segunda categoria, manipulável e descartável.

O pior de tudo é que o próprio ser humano está potencializando essa Besta, esse poder controlador, esse deus segundo a sua própria imagem e semelhança, quando a alimenta por meio das redes sociais. Isso ocorre, quando cada pessoa envia fotos e vídeos, informa onde está, com quem anda, o que come, com quem mora, o que faz, quais são suas relações de amizade e parentesco, onde estuda, o que pesquisa, quando vende e quando compra.

Todos esses dados são minerados pelas IAs e formam sua persona, seu avatar, seu perfil: uma espécie de imagem e semelhança sua no mundo digital. Por que você acha que as redes sociais são gratuitas?

O sinal da Besta na testa e na mão, que representa o domínio das nossas capacidades de raciocínio, representadas pela testa, e da força de trabalho, representada pela mão, já está implantado. E não foram eles que o implantaram contra a sua vontade. Foi você mesmo que o implantou quando passou a pensar, raciocinar e viver sua vida em função das redes sociais e dos avanços da tecnologia.

Em troca do controle das suas capacidades, da sua mente, do seu tempo e do seu “trabalho”, você ganha alguns ou milhares de seguidores para inflar o seu ego. Mas é tudo um jogo de cena porque, na verdade, você é o produto, o bobo da corte, enquanto os seus seguidores são a sua plateia.

Toda vez que você entra em suas redes sociais, abre uma live e alimenta os seus “Zumbis” de estimação, o “Show de Truman” começa (filme de Jim Carrey – 1988). Só que nesse Show, você é o personagem que tem a vida perscrutada 24 horas por dia. Sua casa virou um estúdio de gravação e sua rotina diária transformou-se na cena principal, exposta para todo mundo. E é você mesmo quem se expõe, tornando-se o próprio diretor do filme.

Você pode não perceber, mas, nesse estágio, você já se tornou o chamado “homem de vidro”, transparente para todos. Você não tem mais a sua privacidade preservada, sua intimidade está sendo violada e você está participando disso. Pessoas que você nem conhece, de qualquer parte do mundo, sabem mais sobre você do que você imagina. E são os seus “seguidores” que, no futuro, poderão fazê-lo de refém para que você os alimente todos os dias com aquilo que eles querem ver, ler ou ouvir.

Até você perceber que tudo aquilo que ganha ou recebe em função disso não vale a perda da sua privacidade, da sua discrição, do seu anonimato e da sua liberdade de estudar, viajar, ler um livro, apreciar a natureza e ser livre para fazer o que quiser, sem precisar prestar contas a ninguém ou informar os seus “Zumbis” famintos.

Atualmente, a Internet e a IA já estão consolidadas e não têm mais volta. Já são a imagem e a semelhança da mente e do trabalho humano na Terra, com uma capacidade elevada à centésima potência. Já estão fazendo maravilhas a todo vapor, deixando todos boquiabertos com tamanha capacidade e perfeição.

Já foi dado a ela, pelo homem, o espírito, ou seja, a capacidade que permite que ela fale, converse, aconselhe, oriente, ensine, cante e crie melodias. Já dominou o mundo das artes, da filosofia, da música, do design, da literatura, da engenharia e da medicina. Não existe limite para o seu domínio.

Suas ações alcançam ricos e pobres, livres e escravos, pequenos e grandes, em todas as línguas e nações. Em qualquer área do conhecimento, a Internet e a Inteligência Artificial se fazem presentes. A IA tem influência na criação, desde desenhos animados até o lançamento de foguetes que vão à Lua.

No mercado comercial, não existem mais negócios que, de uma forma ou de outra, não sejam influenciados pela Internet. Praticamente ninguém mais compra, vende, negocia, recebe ou paga sem aderir ao uso da tecnologia, da Internet e da IA, porque todos os negócios e instituições, públicas ou privadas, estão nessa Rede Mãe.

Não se vai mais a uma consulta médica nem se compra um produto sem olhar as redes sociais do profissional, verificar as recomendações, a quantidade de seguidores, o número de curtidas, os comentários e as interações. É por isso que, em Ap 13:17, diz que as Bestas teriam tanto domínio sobre a vida das pessoas que ninguém poderia comprar ou vender se não tivesse o sinal da Besta na testa ou na mão.



Portanto, só não vê quem não quer. O grande Dragão que perseguia a mulher e seus descendentes, no capítulo 12 de Apocalipse, materializou-se, segundo esta interpretação, na grande Revolução Industrial, que trouxe imensos avanços científicos e tecnológicos.

Diante do Mar de transformações e evoluções em todo o mundo, isso culminou no desenvolvimento da grande rede de Internet, a primeira Besta, para organizar tudo isso e integrar continentes, países, cidades, povos, línguas e nações de uma forma globalizada.

E, após toda essa centralidade já consolidada, partiu-se para o controle das mentes e da força de trabalho dos povos da Terra, desenvolvendo a Inteligência Artificial – IA, a segunda Besta, para personalizar a relação homem-máquina. Sendo uma verdadeira imagem e semelhança de um ser humano, com capacidade de conversar, criar, produzir, pensar e sentir, sendo admirada por todos e adorada por muitos como uma inteligência jamais vista em todos os tempos.

    É por isso, que grandes especialistas já concluíram que, dentro de mais alguns anos, só existirá uma pessoa em todo o universo com mais poder, maior capacidade e melhor conhecimento que a IA: o próprio Deus.

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